
30% dos cotistas são fundadores que a própria rede formou.

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Um fundo de venture capital acaba de fechar com US$ 320 milhões, e cerca de 30% dos seus cotistas são fundadores que a própria organização ajudou a formar.
A Endeavor Catalyst anunciou em 7 de outubro o fechamento final do Fund V, acima da meta de US$ 300 milhões e com demanda superior à oferta. A gestora passa a administrar mais de US$ 850 milhões. Entre os 400 limited partners estão Reid Hoffman, Bill Ackman, a holandesa Prosus e fundadores de Nubank, Revolut e Checkout.com. O Itaú Ventures entrou como investidor estratégico, no primeiro aporte da sua estratégia de fundo de fundos, lançada no começo de 2026.
O veículo já destinou US$ 55,7 milhões a 30 empresas, entre elas Replit, Moove, Preply, HappyRobot e Flash, e prevê mais US$ 25 a 30 milhões até dezembro. Somando os cinco fundos, são 437 empresas em 44 mercados, com 83 avaliadas acima de US$ 1 bilhão e 39 saídas.
Vale olhar o mecanismo, não só o tamanho. A Catalyst não lidera rodada. Ela entra quando uma empresa comandada por um empreendedor da rede levanta ao menos US$ 5 milhões com outro fundo institucional no comando, e participa nas mesmas condições. Com US$ 320 milhões, a Endeavor estima acompanhar pelo menos US$ 3,2 bilhões em financiamentos.
O produto, portanto, não é seleção. É acesso. O fundo não precisa acertar qual empresa vence. Precisa estar presente quando qualquer uma delas capta.
E há o marco que o ecossistema levou anos para alcançar. Fundador que teve liquidez virou cotista do fundo que financia a próxima geração. O ciclo começou a se reproduzir com capital de quem já passou por ele.

Radar de Deals — Semana de 4 a 11 de outubro

Global 🌎
TypeSafe AI — US$ 870M, Série A — 09/out. Rodada liderada pela a16z. Série A de porte quase inédito, acima de muitas Séries C do mercado.
Oxide Computer Company — US$ 445M, Série D — 09/out. Infraestrutura de computação; liderada pela Eclipse.
Oratomic — US$ 475M, Série B — 08/out. Computação quântica de átomos neutros; colíderes ARCH Venture Partners, Spark Capital, Khosla Ventures, Index Ventures, General Catalyst e Bezos Expeditions. Valuation saltou de US$ 1,5 bilhão para US$ 5,4 bilhões em três meses.
EliseAI — US$ 350M — semana de 03 a 09/out. IA para locação residencial, a um valuation de US$ 4 bilhões; liderada por a16z e Bessemer.
Varda Space — US$ 250M, Série D — 07/out. Manufatura de medicamentos em órbita, a um valuation de US$ 1,6 bilhão.
Arena — US$ 200M, Série B — 08/out. Rodada liderada pela Lightspeed.
Supabase — US$ 150M — semana de 03 a 09/out. Plataforma Postgres de código aberto para desenvolvimento com IA; liderada pela GIC.

A Nvidia financia os vários lados da guerra dos modelos. E não é incoerência.

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Em 7 de outubro, a Nous Research levantou US$ 90 milhões. O detalhe que interessa não é o valor, é quem estava na mesma mesa: Nvidia, M12 da Microsoft e Samsung Next, três empresas que competem entre si em mais de uma frente, financiando a mesma rodada.
O que a empresa é. Fundada em 2023, a Nous começou como projeto num servidor de Discord, fazendo ajuste fino dos modelos Llama da Meta sob uma tese específica: o modelo deveria seguir a visão de mundo do usuário, não a da empresa que o treinou. Publicou o YaRN, método que ampliou a janela de contexto de modelos abertos a uma fração do custo usual. Em fevereiro lançou o Hermes, agente de código aberto sob licença MIT que lembra projetos, escreve habilidades reutilizáveis e deixa o usuário escolher qual modelo roda por baixo. Já foi clonado mais de 24 milhões de vezes e, por estimativa da própria empresa, responde por cerca de 2,5% do uso global de tokens.
Os números da rodada. Liderada pela Robot Ventures, com Nvidia, M12, Samsung Next, Union Square Ventures, Y Combinator e Menlo Ventures. O Wall Street Journal apurou valuation de US$ 1,5 bilhão, que a companhia não confirmou. O total captado chega a cerca de US$ 158 milhões. O CEO Dillon Rolnick resumiu assim: de alguma forma, US$ 90 milhões virou valor modesto na captação moderna.
A contradição aparente. A Nvidia aparece associada a um aporte bilionário na Anthropic, laboratório de modelo fechado, e agora financia o lado oposto da mesma disputa. A Microsoft, dona do Copilot, coloca dinheiro num agente aberto que concorre com o próprio produto. Segundo a Nous, o Hermes opera a US$ 0,30 por milhão de tokens, contra US$ 15 cobrados por modelos fechados de ponta.
Não é incoerência. É a leitura mais precisa de onde o poder realmente está.
A premissa comum é que o investidor de infraestrutura aposta em quem vai vencer a guerra dos modelos. A inversão é que a Nvidia não precisa apostar, porque já venceu. Aberto ou fechado, barato ou caro, cada token gerado no mundo passa pelo mesmo hardware. Financiar os dois lados não é proteção de portfólio. É garantir que todos os caminhos continuem levando ao mesmo pedágio.

