#Trends

O setor de agentes de IA no Brasil entrou na fase de consolidação.

Fonte: Divugação

Hoje, no cenário de agentes de IA, o foco saiu das licenças por usuário e entrou de vez em soluções que entregam o trabalho pronto. A Freedom.ai construiu o negócio inteiro sobre essa virada.

A startup brasileira fundada por Lucas Affonso vende agentes de IA que automatizam o backoffice de médias e grandes empresas em áreas como financeiro, vendas, RH e operações. Atende mais de 100 companhias, com escritórios em São Paulo, Florianópolis e Manaus. Em 2025, cresceu 900% no faturamento anual.

No primeiro trimestre de 2026, cresceu 1.600% e igualou em três meses toda a receita do ano anterior. Em fevereiro, a Freedom comprou a Nalk, plataforma de dados investida pelo G4 Educação, dobrou a carteira de clientes e converteu a tecnologia no Freedom Sales & Marketing. O fundador da Nalk, Yago Martins, passou a atuar como advisor.

A empresa já prepara nova rodada para financiar expansão latino-americana. Aquisição costuma ser instrumento de empresa consolidada. Aqui aparece como vetor primário de crescimento numa companhia com menos de dois anos de operação. Estamos no momento em que o mercado de agentes deixa de ser corrida de produto e vira corrida de consolidação.

#Deals

Radar de Deals — Semana de 20 a 27 de setembro

Global 🌎

  • Island — US$ 400M, Série F — semana de 21 a 25/set. Ferramentas de operação digital corporativa segura. Uma das duas maiores rodadas da semana, ambas em cibersegurança.

  • Cyera — US$ 400M — semana de 21 a 25/set. Segurança de dados.

  • Snorkel AI — US$ 350M, Série E — 23/set. Rodada liderada pela Insight Partners.

  • Enveda — US$ 311M, Série E — 23/set. Biotech; liderada pela Catalio.

  • Precision Neuroscience — US$ 250M, Série D — semana de 21 a 25/set. Interface cérebro-máquina; liderada por Pershing Square e Ackman Oxman Institute.

  • Rightway — US$ 155M, Série E — semana de 21 a 25/set. Benefícios farmacêuticos e navegação de cuidado; liderada pela Francisco Partners.

  • Heidi Health — US$ 100M, Série C — 22/set. Liderada pela Blackbird.

  • Rainmaker — US$ 100M, Série B — 21/set. Liderada pela Upfront Ventures.

#Review

O que os dados dizem sobre o início da Era Agêntica da Inteligência Artificial no Brasil

Fonte: Divulgação

No Brasil, 53% dos executivos de tecnologia colocam agentes de IA e IA generativa como prioridade número um de investimento para 2026, à frente de segurança da informação e nuvem, segundo levantamento da ABES com dados da IDC. Ao mesmo tempo, apenas 6% das empresas brasileiras já implementaram agentes de fato, conforme o estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil, da AWS. A distância entre essas duas linhas é o mercado.

O quadro global tem a mesma forma. O Gartner projeta que 40% das aplicações corporativas terão agentes específicos embarcados até o fim de 2026, contra menos de 5% em 2025. A McKinsey encontra 88% das organizações usando IA em pelo menos uma função, mas só 23% escalando um sistema agêntico. Adoção ampla, implantação rasa. O capital leu isso rápido: startups nativas de agentes captaram US$ 4,7 bilhões só no primeiro trimestre de 2026, segundo composição de dados de Crunchbase e PitchBook, e a Deloitte dimensiona o mercado agêntico em cerca de US$ 8,5 bilhões neste ano, rumo a US$ 35 bilhões até 2030.

O motivo da distância é banal e estrutural. Não é modelo. É dado sujo, sistema legado sem documentação, governança inexistente e falta de gente. O Gartner estima que 85% dos projetos de IA falham por dados inadequados e projeta que 40% das iniciativas com agentes serão canceladas até 2027. No Brasil, 98% das médias e grandes empresas relatam dificuldade para encontrar profissionais de tecnologia, segundo levantamento Ford e Datafolha citado pela Forbes Brasil.

É exatamente aí que as startups entram, e por dois caminhos ao mesmo tempo. Elas são o fornecedor que a grande empresa não consegue ser internamente, e são também as mais avançadas no uso da tecnologia.

A conclusão prática desloca onde está a vantagem. Num mercado em que o modelo é alugado por todo mundo pelo mesmo preço, ninguém ganha por ter o agente mais inteligente. Ganha quem sabe conectá-lo a um ERP antigo, a um dado bagunçado e a uma exigência regulatória local. No Brasil, a defesa não está no que o agente pensa. Está em conseguir fazê-lo funcionar onde a empresa realmente opera.