#Trends

A fusão que criou uma líder de mercado sem desembolsar um centavo.

Fonte: Divulgação

Nenhum real trocou de mãos, e mesmo assim nasceu a maior empresa de cibersegurança do Brasil. Embraer e SPX Capital anunciaram a fusão da Tempest Security Intelligence com a Vision Cybersecurity, estruturada como troca de ações. O desenho importa mais que o tamanho.

A operação acerta em dois níveis. O primeiro é a estrutura: como não houve desembolso, ninguém liquidou posição. A SPX assume o controle, a Embraer permanece acionista relevante e cliente, e o aporte de até R$ 400 milhões feito em janeiro na compra da Vision vira caixa de integração. O dinheiro necessário já estava dentro de casa.

O segundo é a complementaridade. A Tempest, criada no CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), em 2000, e comprada pela Embraer em 2020, atende grandes corporações com serviço customizado. A Vision, que vem da ISH Tecnologia, de Vitória, atende o porte logo abaixo. A fusão cobre a régua inteira e cruza carteiras sem canibalizar.

Vale a ressalva honesta: receita de serviço escala com gente, não com licença. São 900 profissionais e duas culturas técnicas que seguem separadas até o fechamento, com as marcas preservadas. A tese de cruzar inteligência de ameaças só vira margem se virar produto. Até lá, é soma de faturamento, não sinergia.

Em mercado pulverizado, escala não é vantagem competitiva. É o preço de entrada para sentar na mesa do contrato grande. O mercado brasileiro deve movimentar US$ 4,05 bilhões em 2026, segundo a Peers Consulting, e a nova líder nasce com cerca de 3% dele. Quem não consolidar agora disputa as sobras.

#Deals

Radar de Deals — Semana de 6 a 13 de setembro

Global 🌎

  • The Boring Company — US$ 3B, Série D — 10/set. Túneis e transporte subterrâneo; rodada liderada pelos Emirados Árabes Unidos, com a16z, Sequoia, Temasek, Vy Capital e Valor Equity. Valuation de US$ 23 bilhões. O capital financia mais de 150 km de túneis nos Emirados, incluindo o Dubai Loop.

  • Cognition — US$ 2B, Série E — semana de 5 a 11/set. Dona do Devin, agente de IA para codificação; liderada por a16z e Accel, após quase dobrar a receita anualizada em quatro meses. No Brasil, o Itaú usa a ferramenta para corrigir automaticamente 70% das vulnerabilidades de segurança.

  • Motive — US$ 1,3B — semana de 5 a 11/set. Software de gestão de frotas.

  • Stoke Space — US$ 1B — semana de 5 a 11/set. Foguetes reutilizáveis.

#Presented by Endeavor

Depois de sete anos, o Day1 está de volta.

Fonte: Divulgação

A Endeavor Brasil marcou para 26 de outubro, na Sala São Paulo, a décima primeira edição do seu maior evento de histórias empreendedoras, com mais de mil pessoas na plateia e transmissão nacional. Sobem ao palco Carolina Matsuse e Yuri Gricheno, da Insider, Daniela Binatti e Juliana Binatti Motta, da Pismo, comprada pela Visa por US$ 1 bilhão, Mariano Gomide de Faria, da VTEX, que abriu capital em Nova York, Edgar Diniz e Sergio Lopes, da LiveMode, dona da CazéTV, e Antonio Pipponzi, que transformou a farmácia do avô na maior rede de farmácias da América Latina.

Parece só uma lista de nomes fortes. Não é.

Em março, a própria Endeavor apresentou um estudo incômodo: 60% dos unicórnios brasileiros chegaram a esse patamar operando apenas dentro do Brasil, contra média de 16% na América Latina. A curadoria desta edição responde a esse dado. Não celebra tamanho, celebra alcance. A meta declarada da organização é colocar o Brasil entre os principais ecossistemas de inovação do mundo até 2035. Não se chega lá formando campeões domésticos. Chega-se formando empresas que nascem sabendo que o mercado é maior que o país.

#Review

O mercado de cibersegurança dentro da era agêntica da IA

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Segundo levantamento da PitchBook, no primeiro trimestre de 2026, o capital investido em cibersegurança se manteve perto de US$ 5 bilhões, mas o número de rodadas caiu ao menor patamar trimestral desde 2018. Mesmo dinheiro, muito menos empresas. Esse descompasso é o retrato mais preciso do que acontece no setor: o capital parou de financiar ferramentas e começou a financiar uma categoria inteira que ainda está nascendo.

A cibersegurança históricamente vendeu proteção contra humanos mal-intencionados. Agora o vetor mudou de natureza. Agentes de IA operando dentro das empresas criaram identidades não humanas que precisam ser autenticadas, monitoradas e revogadas em tempo real. De acordo com relatório da DataTribe, gestora especializada em cibersegurança em estágio inicial, segurança de IA virou a principal categoria de investimento seed no segundo trimestre, respondendo por cerca de 25% de todos os deals, com quase todas as empresas dessa fatia mirando sistemas agênticos.

O motivo é estrutural. Um agente precisa de credencial, acesso a dados e permissão para agir em sistemas, mas não se comporta como funcionário. Pode ser criado em segundos, se multiplicar sozinho, operar milhares de vezes por minuto e continuar existindo depois que ninguém mais lembra quem o criou. Não existe processo de desligamento para identidade de máquina. E, diferente de um humano, ela não hesita diante de uma ordem mal formulada.

Por isso identidade virou o centro da tese. Ainda segundo a PitchBook, gestão de identidade e acesso se manteve como tema central de investimento no trimestre, justamente porque as empresas passaram a lidar com o risco crescente de agentes autônomos e identidades de máquina. O que está sendo construído não é antivírus. É governança de comportamento: descobrir quais agentes existem na organização, atribuir um responsável a cada um, conceder acesso temporário no lugar da credencial permanente e auditar o que cada um fez.

O estágio dos deals confirma a leitura. Pela primeira vez desde 2022, o early stage superou o late stage em cibersegurança, puxado por rodadas fora de padrão como as da Tenex.AI e da Upwind Security. Quando o capital migra para o começo da curva, o mercado não está escalando o que existe. Está apostando em algo que ainda não tem forma definida.