#Trends

Ele optou por fazer amigos antes de fazer negócios. E essa cultura se tornou inegociável.

Fonte: Divulgação

Matteo Couto tomou uma decisão que quase nenhum fundador tem coragem de tomar. Escolheu fazer amigos antes de fazer negócios, e ficou cerca de um ano sem faturar por causa disso.

Não foi ingenuidade. Foi essa tese, a mesma que ele e o cofundador Fabio Ekizian carregam desde o início.

O The Founders, que Matteo fundou ao lado do cofundador Fabio Ekizian, nasceu de rodadas informais de conversa entre jovens fundadores, como resistência ao coaching superficial que se popularizou no Brasil. A entrada não é aberta. Existe um piso e uma curadoria, para que só entre quem faz sentido para a rede. Mas o que segura as pessoas dentro não é o filtro, é a cultura. Conexão real primeiro. Negócio depois, se vier.

Deu certo. Hoje são cerca de 120 membros ativos, de empresas que faturam de R$150 mil a R$650 milhões, e por lá já passaram nomes como Guilherme Benchimol, Alfredo Soares e founders de diversas startups, dividindo a trajetória com os membros. As conexões viraram sociedade, investimento e, acima de tudo, amizade.

Toda comunidade que dura é construída sobre a mesma verdade contraintuitiva. Confiança não se acelera, se cultiva, e ela é o único ativo que nenhum concorrente consegue copiar com dinheiro. Matteo entendeu isso antes de faturar o primeiro real, e por isso o que ele construiu é tão difícil de imitar.

#Deals

Radar de Deals — Semana de 2 a 9 de Agosto

Global 🌎

  • Valar Atomics — US$ 1B, Série B — 03/ago. Reatores nucleares avançados para alimentar data centers de IA; liderada por Sequoia, com Point72 e Valor Equity Partners.

  • HappyRobot — US$ 150M, Série C — 04/ago. Agentes de IA autônomos para cadeia de suprimentos (virou unicórnio); liderada por Prysm Capital, com Eurazeo, a16z e Y Combinator.

  • Ellis AI — US$ 10M, seed — 03/ago. Automação de back-office para fundos de private credit via agentes de IA; liderada por First Round Capital e 645 Ventures, com Khosla e Thrive.

  • Naïve — US$ 28,5M, Série A — 06/ago. Automação de operações de negócio com agentes de IA; liderada por Nexus Venture Partners.

#Review

Para onde flui o capital de risco em 2026: o recorde global e a nova disciplina dos fundos com IA no Brasil.

Fonte: Divulgação

No primeiro semestre de 2026, o venture capital global bateu recorde histórico, US$ 510 bilhões, e a inteligência artificial abocanhou 43% de tudo, US$ 217 bilhões só em IA. No Brasil, o movimento foi oposto. Segundo dados de mercado, o financiamento a startups brasileiras caiu quase 76% frente ao mesmo período de 2025, de US$ 2,46 bilhões para cerca de US$ 593 milhões, puxado por um primeiro trimestre especialmente fraco. Enquanto o capital global se concentra na IA, o Brasil vive seletividade extrema. Ainda assim, uma fatia crescente do capital nacional já vai para empresas que constroem ou aplicam IA.

O ciclo de 2019 a 2022, marcado por guerra de queima de caixa, deixou cicatriz. O equity perdeu peso no bolo total, enquanto crédito e FIDCs passaram a sustentar parcela relevante dos aportes. A seletividade virou regra. O mercado passou a exigir economia unitária saudável, payback de CAC curto e caminho claro para break-even antes do cheque, algo que fundos como Kaszek, Monashees, Canary e Astella hoje cobram com rigor que não existia no ciclo anterior.

E a aposta migrou de lugar. O Brasil saltou de 352 startups de IA em 2016 para 975 em 2025, mas cerca de 71% delas estão concentradas no Sudeste, e São Paulo sozinho detém 56% do mercado. O capital seguiu o mesmo funil estreito, saindo da IA horizontal genérica para a IA vertical, colada a setores de baixa margem e alta ineficiência.

No Brasil, a vantagem competitiva não está no algoritmo, está na ineficiência local que só quem conhece o terreno sabe explorar. E é nesse ponto que o capital tem se concentrado: menos nas camadas finas construídas sobre modelos de terceiros, e mais nas empresas posicionadas sobre dados proprietários que dificilmente seriam replicados de fora. A leitura do ciclo é clara. Num mercado que deixou de premiar crescimento a qualquer custo, o que separa quem capta de quem fica pelo caminho é a profundidade da vantagem, não a proximidade com o hype.